Resenha Critica sobre a representação do
conhecimento segundo a Teoria da Flexibilidade Cognitiva.
Resumo
Ao
longo deste artigo iremos, referir os pressupostos da teoria, as influências
recebidas e os documentos concebidos. No final é apresentado um comentário da
Teoria da Flexibilidade Cognitiva, que se fundamenta nos estudos realizados. A
representação do conhecimento baseada na Teoria da Flexibilidade Cognitiva é
regida por uma série de princípios que são abordados neste artigo. Esses
princípios visam facilitar a aquisição de conhecimentos de nível avançado, em
domínios complexos e pouco-estruturados, promovendo o desenvolvimento de
flexibilidade cognitiva, imprescindível na transferência de conhecimento para
novas situações.
Introdução
A
Teoria da Flexibilidade Cognitiva é uma teoria construtivista, desenvolvida por
Spiro et al. (1987; 1988; 1991a; 1991b; Spiro e Jehng, 1990), cujos princípios
são particularmente adequados para a aquisição de conhecimentos de nível
avançado, em domínios complexos e pouco estruturados. Esta teoria
desenvolveu-se ao tentar solucionar a dificuldade que os alunos dos cursos de
medicina apresentavam em transferir o conhecimento para novas situações
(Feltovich, Spiro e Coulson, 1989). Deste modo, é importante não só mencionar
que esta teoria se aplica na aquisição de conhecimentos de nível avançado em
domínios complexos e pouco estruturados.
Segundo
Carvalho (200), a flexibilidade cognitiva é a capacidade que o sujeito tem de,
perante uma situação nova (ou problema), reestruturar o conhecimento para
resolver a situação (ou o problema) em causa. A flexibilidade cognitiva
resulta, não só, do modo como o conhecimento é representado, sugerindo os
autores múltiplas dimensões conceptuais (temas) e múltiplas travessias da
paisagem, mas também da análise de muitos casos, desenvolvendo, deste modo, a
capacidade de constituir esquemas (Spiro e Jehng, 1990).
O conhecimento que vai ser utilizado em
diferentes situações precisa de ser ensinado de diferentes modos (Spiro et al.,
1987). Assim, os autores propõem dois processos para desenvolver a
flexibilidade cognitiva durante a aprendizagem de determinado assunto:
desconstrução do mini-caso através de diferentes pontos de vista (temas) e
estabelecer relações entre mini-casos de diferentes casos.
Análise e Resultado
Para
facilitar a aprendizagem de conhecimentos complexos e pouco estruturados Spiro
et al (1988), sugerem sete princípios. O primeiro, um princípio geral, salienta
a necessidade de (1) demonstrar a complexidade e a irregularidade, evidenciando
situações que parecem semelhantes e que quando analisadas se revelam
diferentes. Os outros princípios, decorrentes do primeiro, apelam a (2)
utilizar múltiplas representações do conhecimento, perspectivando-o em
diferentes contextos; (3) centrar o estudo no caso; (4) dar ênfase ao
conhecimento aplicado a situações concretas em vez de conhecimento abstracto;
(5) proporcionar a construção de esquemas flexíveis através da apresentação de
situações a que determinados conceitos que se aplicam; (6) evidenciar múltiplas
conexões entre conceitos e mini-casos (travessias temáticas), evitando
compartimentar o conhecimento e, por fim, (7) é mencionada a participação
activa do estudante no documento, através da orientação especializada presente
nos Comentários Temáticos que, redigidos por especialistas no assunto,
proporcionam uma visão multifacetada e profunda do caso em estudo.
Segundo
Pessoa (2013 Pag 348), quando falamos em ensino superior o objectivo não será
que se adquiram ou memorizem conceitos nem se espera que a prática pedagógica
se centre na instrução ou modelação de comportamentos. Será preocupação maior
que se aprenda a pensar, isto é, a analisar e reflectir sobre as situações
complexas e a investir, também, de modo flexível na descoberta de si e dos
outros, textos e contextos do mundo em que vivemos. Pensar de forma reflexiva é
ser capaz de olhar as situações considerando perspectivas diversas, é ser capaz
de compreender a complexidade tendo em conta, de forma não linear mas flexível,
conhecimentos e experiências passadas e dimensões de futuro.
No
ensino superior o que se pretende não será simplesmente a aquisição de
determinados conteúdos ou a reprodução de determinado tipo de conhecimentos,
competências próprias de uma fase inicial de aprendizagem.
No
ensino superior estamos numa fase avançada de aprendizagens em que se pretende
que os sujeitos valorizem, compreendam e saibam utilizar informação, que saibam
pensar e resolver (n) os problemas surgidos em contextos reais, por natureza
complexos (Pessoa, 2013 Pag 348).
As
diversas situações de aprendizagem diferenciam-se em função da fase em que os
alunos se encontram relativamente ao domínio de conhecimentos. De uma fase
inicial, numa dada área de conteúdos, para fases de aquisição de conhecimento
mais aprofundado, acontece que não só o conteúdo conceptual tende a tornar‑se mais complexo e a base da sua aplicação menos
estruturada, como os objectivos de aprendizagem e os critérios pelos quais a
aprendizagem é avaliada mudam (Spiro &Jehng, 1990).
Para
Wittgenstein (1987), a expressão travessia da paisagem em várias direcções
reflecte uma dificuldade causada pelas normas da escrita, "os meus
pensamentos paralisavam, logo que eu tentava forçá-los, contra a sua inclinação
natural, numa determinada direcção" (Wittgenstein, 1987 Pag 165), para
Spiro e Jehng (1990), ela é uma metáfora que serve de base a uma teoria de
aprendizagem, ensino e representação do conhecimento. A paisagem, utilizada
neste contexto como sinónimo de conhecimento, só é profundamente compreendida
quando atravessada em várias direcções.
Para
Spiro e Jehng (1990), aprende-se ao atravessar as paisagens conceptuais e para
ensinar um dado assunto é necessário seleccionar materiais que facultem uma
exploração multidimensional ao estudante sob orientação especializada. Cada
comentário redigido por Wittgenstein (1987 Pag 165), que ele designa por
observação filosófica, integra um novo contributo para ajudar a compreender os
assuntos abordados e vai ser o conjunto de "esboços paisagísticos"
que permite ao leitor atingir uma melhor e mais profunda compreensão sobre o
assunto em foco.
Considerações Finais
É no
contexto da sociedade contemporânea, e das exigências actuais do ensino
superior, motivadas pela mundialização do ensino superior, o impacto das
tecnologias de informação e de comunicação sobre todos os aspectos de aprendizagem,
pelo avanço acelerado do saber e o processo de Bolonha na europa, permitiram
mudanças pedagógicas profundas nas instituições de ensino superior, em que o
estudante assume o papel principal na construção do conhecimento, que tem
sentido ou se justifica a o desenvolvimento de uma pedagogia do ensino superior
inovadora não exclusivamente suportada em dinâmicas centradas na sala de aula
mas em situações reais – casos – susceptíveis de serem ‘atravessados’ por
múltiplas leituras, temas ou perspectivas.
Consideramos assim importante o contributo da
teoria da flexibilidade cognitiva de R. Spiro na resolução da antinomia referida
por Boavida citado por Pessoa (2013 Pag 354) entre ”uma Universidade refugiada
na investigação pura e nos problemas abstractos, ou preocupada em exclusivo com
a aplicação prática da sua investigação” na medida em que contribuirá para (re)
formular ou repensar o modo “como os estudantes são introduzidos nas matérias,
pelo modo como deverão lidar com elas, pelo espírito de investigação que
desenvolverem e pelos quadros culturais que formarem” (Boavida, 2010, 24 Citado
por Pessoa, 2013 Pag 354).
Bibliografia
Carvalho Amorim, A. (2000). A representação do conhecimento
segundo a teoria da flexibilidade cognitiva. Revista
Portuguesa de Educação, 13 (1), 169-184.
Pessoa, M. T. R. (2013). Aprender e ensinar no ensino superior:
contributos da teoria da flexibilidade cognitiva. Portugal
A teoria da flexibilidade cognitiva é uma teoria construtivista da aprendizagem, defendida por vários autores , principalmente por Spiro e companheiros (1987) e Wittgenstein( 1987). Do meu ponto de vista, estes autores convergem no sentido de que, todos eles serem construtivistas, mais divergem no sentido de que, Wittgenstein (1987), me parece ser um construtivista clássico. "Os meus pensamentos paralisavam, logo que eu tentava forçá-los, contra a sua inclinação natural, numa determinada direcção". Esta expressão dá-me a entender que para este autor , a construção do novo conhecimento deve ser feita através de mudanças conceptuais de forma radicais, e não através de substituição ou evolução de conceitos. Não se trata de substituição de culturas , mais sim de mudanças das mesmas, isto é, mudar de uma cultura não científica para a outra que é científica.
ResponderEliminarSpiro et.al (1987), em oposição a Wittgenstein (1987), privilegiam a construção de novos conhecimentos a partir dos já existentes. Cada comentário redigido por Wittgenstein (1987 Pag 165), que ele designa por observação filosófica, integra um novo contributo para ajudar a compreender os assuntos abordados e vai ser o conjunto de "esboços paisagísticos" que permite ao leitor atingir uma melhor e mais profunda compreensão sobre o assunto em foco. Esta expressão dá-me a entender que Spiro et .al (1987), privilegiam a aquisição de novos conhecimentos a partir dos anteriores. Trata-se de substituição de conceitos ou culturas e não de mudanças radicais das mesmas.
A teoria da flexibilidade cognitiva se aplica na aquisição de conhecimentos de nível avançado em domínios complexos e pouco estruturados.
É o conhecimento que se adquiri por problematização e questionamento, como afirma Bachelard: Nada é dado, nada é evidente ,tudo se constrói. Para a teoria da flexibilidade cognitiva o conhecimento é construído a parir de questionamentos a problemas reais complexos, e pouco estruturados, em que o estudante deve passar de um conhecimento pouco estruturado, resultante de sua vivência e experiências para outro mais estruturado , resultante da transformação do anterior através das respostas aos questionamentos.
Esta passagem ou travessia como Wittgenstein (1987) afirma, requer do estudante um questionamento, que através de um processo reflexivo chega a um novo conhecimento ou a uma nova cultura.
Por isso nas Universidades os docentes devem privilegiar o ensino por problematização , em que os estudantes chegam a aprendizagem reflexiva e auto-reguladora dando respostas as questões , através de discussões e profundas investigações .
A teoria da flexibilidade cognitiva enfatiza a aprendizagem por descoberta, a parir de um ensino problemático.
O comentário não reflete as aprendizagens feitas mas o que referem os autores que não deve ter consultado, tendo que indicar quem os citou.
EliminarA Teoria da Flexibilidade Cognitiva é uma teoria construtivista de ensino e de aprendizagem, que tem vindo a ser desenvolvida por Rand Spiro e seus colaboradores desde finais da década de 80. Esta teoria serve- se da analogia da paisagem como representação do conhecimento, inspirada na obra Investigações Filosóficas de Wittgenstein (1987), e da metáfora da "travessia da paisagem em várias direcções", que Wittgenstein utiliza como forma de exposição escrita não convencional, e que estes autores usam como base de uma teoria de aprendizagem, de ensino e de representação do conhecimento (Spiro e Jehng, 1990).
ResponderEliminarA teoria da flexibilidade cognitiva está fundamentada em outras teorias contrutivistas (por exemplo: Bruner, Ausubel, Piaget) e está relacionada ao trabalho de Salomon.
Para mim a Teoria da Flexibilidade Cognitiva não é uma teoria geral, no sentido que se aplica a qualquer nível do conhecimento, ela delimita a sua aplicação a um nível específico: a aquisição de conhecimentos de nível avançado, em domínios complexos e pouco- estruturados.
Foi ao constatar que os alunos tinham dificuldade em transferir conhecimentos para novas situações, que se caracterizavam por conhecimentos complexos e pouco- estruturados que os pressupostos desta teoria surgiram (Spiro et al., 1987; Spiro et al., 1988; Feltovich et al., 1989; Spiro e Jehng, 1990).
Spiro e os seus colaboradores argumentam que se pretende que os alunos usem flexivelmente o conhecimento, ele deve ser ensinado de uma forma flexível. Deste modo, deve-se permitir que o aluno aceda várias vezes à mesma informação mas com finalidades diversas, perspectivando, assim, a mesma informação através de diferentes ângulos, o que lhe vai possibilitar obter uma visão multifacetada do assunto e uma compreensão profunda.
Atendendo à necessidade da aquisição de conhecimentos em domínios complexos e pouco- estruturados, os autores desta teoria consideram os sistemas hipertexto e hipermédia adequados e convenientes para implementar a teoria.
A Teoria da Flexibilidade Cognitiva, no início da década de noventa, ao referir que os documentos hipertexto e hipermédia implementados de acordo com os seus princípios evitam que o utilizador se perca ou se sinta desorientado no hiperespaço, trouxe um importante contributo para a elaboração de hiperdocumentos (Spiro e Jehng, 1990).
Em suma, os hipertextos de Flexibilidade Cognitiva permitem a desconstrução de um domínio pouco- estruturado para, posteriormente, ocorrer um leque alargado de reconstruções possíveis
ver comentário anterior
EliminarSegundo as obras consultadas a Teoria da Flexibilidade Cognitiva pretende responder às dificuldades de ensino e aprendizagem avançada em domínios de conhecimentos pouco-estruturados e complexos como as que estão implicadas, diríamos, nas dinâmicas pedagógicas do ensino superior. De acordo com a Teoria da flexibilidade Cognitiva, O conhecimento é construído, através da sua utilização. Como referem Spiro e colaboradores “o conhecimento é determinado pela sua utilização.” (1988, 380).
ResponderEliminarAprender em domínios complexos e pouco-estruturados, requer novas formas de conceber o processo de ensino e aprendizagem. O conhecimento que tem de ser utilizado de muitas formas também terá de ser ensinado de muitas formas.
É nesta perspectiva que coloco a minha abordagem, dizer que é bastante significativa esta teoria uma vez que ela analisa o aprendizado do estudante universitário. Realmente existe uma grande dificuldade na transição do ensino fundamental para o ensino superior. Alguns docentes de certos países africanos, especial em Angola carecem ou seja ignoram tal informação porque até aqui ainda existe docentes com teorias muito antigas sem acompanhar a inovação do ensino passando somente as teorias de memorização e repetição de conteúdos. Segundo Pessoa (2013), quando falamos em ensino superior o objectivo não será que se adquiram ou memorizem conceitos nem se espera que a prática pedagógica se centre na instrução ou modelação de comportamentos.
Para Angola um país ainda vulnerável nesta condição o meu desejo é que haja reformulação de estratégias no ensino porque até aqui ainda temos docentes que se consideram como dotados de conhecimentos e que exigem a memorização dos conteúdos por parte dos estudantes tendo os alunos como repetidores das palavras do professor. É necessário dar fim a este tipo de atitude em que considera-se o aluno como um objecto de armazenamento de conhecimentos, devemos partir para um ensino mais prático, experimental, técnico e motivado onde o aluno é o centro do conhecimento, é um sujeito activo durante as actividades desenvolvidas em sala de aulas e no trabalho independente.
Repete alguma informação que já está na postagem sem refletir sobre as suas aprendizagens. Atenção que a TFC pode ser fundamentar abordagens inovadoras no ensino não superior. Veja o comentário geral que fiz à postagem. É de louvar, no entanto, a crítica que faz ao sistema de ensino angolano mas tem que se pensar em soluções.
EliminarA Teoria da Flexibilidade Cognitiva é uma teoria construtivista, desenvolvida por Spiro et al. (1987; 1988; 1991a; 1991b; Spiro e Jehng, 1990), cujos princípios são particularmente adequados para a aquisição de conhecimentos de nível avançado, em domínios complexos e pouco estruturados. Esta teoria desenvolveu-se ao tentar solucionar a dificuldade que os alunos dos cursos de medicina apresentavam em transferir o conhecimento para novas situações (Feltovich, Spiro e Coulson, 1989).
ResponderEliminarDepois da leitura feita, aprendi que o sujeito deve ter a capacidade de se adaptar a situações novas, isto é perante uma situação nova (ou problema), reestruturar o conhecimento para resolver a situação (ou o problema) em causa.
No ensino superior o que se pretende não será simplesmente a aquisição de determinados conteúdos ou a reprodução de determinado tipo de conhecimentos, competências próprias de uma fase inicial de aprendizagem. Com base no que foi dito acima, conclui, que estou numa fase avançada de aprendizagem, em que se pretende que valorize, compreenda e saiba utilizar informação,saiba pensar e resolver os problemas surgidos em contextos reais
Reflexão interessante embora não aponte para ações concretas.
EliminarMais uma vez a postagem reporta o referido pelos autores consultados (cuidado com as citações de citação que têm regras próprias que só usam algumas vezes) sem demonstrar que se tenham apropriado dos conteúdos e sejam capazes de perspetivar como pode ser aplicada a teoria nos vossos contextos para resolver problemas sobre temas mal estruturados e complexos para os alunos, como questões ambientais (redução do lixo, por exemplo) ou de saúde (gravidez na adolescência).
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